Embriões em joias: crise ontológica, vazio ritual e propostas personalistas
DOI:
https://doi.org/10.7213/2175-1838.18.e2634821Resumo
Em 2024, uma empresa britânica passou a comercializar joias confeccionadas a partir de embriões humanos excedentes de fertilização in vitro (FIV), encapsulados em resina transparente. Este artigo argumenta que tal prática é um sintoma de uma dupla crise antropológica: a indefinição do status ontológico do embrião criopreservado, que habita um “limbo ontológico” produzido pela falha simultânea dos sistemas científico, jurídico, médico e social em reconhecê-lo como pessoa; e a ausência de rituais socialmente compartilhados para elaborar o luto de vidas não nascidas, vazio este que o mercado converteu em oportunidade de negócio. À luz da antropologia personalista de Emmanuel Mounier, Jacques Maritain e Elio Sgreccia, escolhidos por uma lógica de complementaridade progressiva, demonstra-se que a dignidade ontológica do embrião é intrínseca e independe de reconhecimento externo, enquanto a reconstrução de mediações comunitárias de luto responde à segunda crise. Ao final, propõem-se intervenções concretas nas áreas jurídica, litúrgica e educativa, demonstrando que há alternativas dignas à mercantilização do embrião.
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