Acolhida humana à autocomunicação divina
Por uma teologia da resposta livre à Revelação cristã
DOI:
https://doi.org/10.7213/2175-1838.18.%20e2634433Resumo
O presente artigo analisa a acolhida humana da autocomunicação divina a partir da compreensão da Revelação cristã como iniciativa amorosa, histórica e dialogal de Deus. Partindo do horizonte teológico da Dei Verbum, sustenta-se que a Revelação precisa ser entendida como acontecimento vivo no qual Deus se comunica como dom e interpela o ser humano à resposta livre. A hipótese central afirma que a fé constitui resposta integral que envolve inteligência, vontade, afetividade, corporeidade, historicidade e pertença comunitária. O texto desenvolve essa tese em três movimentos principais: primeiro, apresenta a Revelação como autocomunicação amorosa e evento dialógico; em seguida, aprofunda a fé como ato hermenêutico e colaborativo, mostrando que crer é interpretar, acolher e traduzir o evento Cristo na história; por fim, examina os desafios contemporâneos da secularização, do pluralismo religioso e da fragmentação simbólica, indicando a necessidade de uma fé lúcida, encarnada e eticamente comprometida. O estudo conclui que a unidade entre Revelação, graça e liberdade permite compreender a fé cristã como encontro transformador, no qual a iniciativa divina não anula, mas funda e plenifica a liberdade humana. A resposta crente realiza-se como experiência relacional e práxis histórica, capaz de gerar comunhão, responsabilidade e compromisso com a dignidade humana, a justiça e a reconciliação no mundo.
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