O Instituto de Pastoral Regional e a formação de Lideranças Católicas na Amazônia durante o Regime Militar (1973-1977)
DOI:
https://doi.org/10.7213/2175-1838.18.e2632941Palavras-chave:
Instituto de Pastoral Regional, Hegemonia, Amazônia, Reforma UniversitáriaResumo
O Instituto de Pastoral Regional (IPAR), atuante entre 1973 e 1977, configurou-se como um enclave político-religioso-educacional na Amazônia ao articular diretrizes eclesiásticas e normas estatais em meio à ditadura militar brasileira. Este artigo busca responder à seguinte questão: de que modo o IPAR, em convênio com a Universidade Federal do Pará (UFPA), atuou na formação de lideranças católicas e na mediação entre Igreja, sociedade e Estado durante o regime militar? O objetivo é analisar a formação ofertada pelo IPAR no contexto de sua cooperação com a UFPA, compreendendo suas implicações político-ideológicas e seu papel na constituição de lideranças eclesiais e comunitárias na Amazônia. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem histórico-documental, de natureza qualitativa, com base na análise de documentos institucionais e eclesiásticos, legislação educacional, relatórios produzidos por órgãos de informação do regime militar e bibliografia especializada. A partir da perspectiva gramsciana, o IPAR operava como aparelho privado de hegemonia, mediando a formação de lideranças eclesiais e comunitárias no campo da sociedade civil, ao mesmo tempo em que dialogava com a estrutura do Estado. A vigilância do regime militar sobre o instituto evidencia sua percepção como espaço estratégico na formação de intelectuais orgânicos alinhados a setores populares e progressistas. Assim, a análise demonstra que o IPAR representou uma interseção entre as tensões políticas e eclesiásticas da época, consolidando-se como um lócus de disputa ideológica no contexto da ditadura.
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