Antecipar o “Apagar das Luzes”? Religião, Arte, Subjetividade e Sociedade no Conto “O artista da fome” (Ein Hungerkünstler) de Franz Kafka

Manoel Ribeiro de Moraes Junior

Resumo


Este trabalho não procura enquadrar o conto O Artista da Fome de Franz Kafka às categorias teóricas da filosofia ou da teologia, muito menos subjuga-la às interpretações das Ciências da Religião. Menos que isto, este trabalho procura colher pistas de expressões humanas à luz de aspectos culturais que entendem-se ser religioso e teológico, porém, com compromisso maior de compreender e explicar a densidade do humano que, por sua vez, se mostra melhor no palco principal de sua mais importante revelação: a narrativa como tessitura exposta e significada da auto-compreensão humana sobre seus mundos físico, social e subjetivo. Na primeira parte deste artigo, procuraremos destacar os aspectos do imaginário judaico e social no qual circunscreviam comportamentos da época de Franz Kafka. Na parte seguinte, trataremos do Artista da Fome. Um personagem que revela a tensão entre o “viver humano”, a fome e a indiferença por meio dos serviços de empregabilidade alienante e da sociabilidade posta sem afetividade. Na última parte, será exposta uma dimensão sobre a antropologia reprimida em tempos de prevalência de imperativos desenvolvimentistas, mas que é fundamental para os ideais de política democrática e estofo para qualquer sociedade que se permita à tensão equiparada entre liberdade e justiça. A hipótese deste trabalho aponta para o fato de que a supressão da autonomia humana é abertura para tempos terminais da história e da política.


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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/2175-1838.09.001.AO02

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