O múnus e a imunização biopolítica: uma leitura dos direitos humanos a partir de Roberto Esposito

Castor Mari Martín Bartolomé Ruiz

Resumo


Os direitos humanos são uma prática discursiva atravessada pela hegemonia biopolítica das técnicas de governo modernas. Nessa condição, é compreensível a tensão paradoxal a que se encontra submetido o discurso dos direitos humanos e suas verdades. A obra de Roberto Esposito permite fazer uma releitura da lógica imunitária da biopolítica moderna e de como ela afeta ao discurso dos direitos humanos. Neste ensaio, apresentamos as implicações que os processos de imunização do outro, implementados pelas sociedades modernas, têm provocado na dimensão comunitária das relações humanas. Ao substituir a dimensão do múnus da communitas pela busca do interesse próprio — o direito ao bônus —, as relações sociais se tornaram cada vez mais imunitárias e cada vez menos comunitárias. Essa tensão imunitária conduz a uma inexorável destruição dos vínculos humanos e, como consequência, à desintegração da própria sociedade. Na modernidade, o vazio comunitário do social é suprido pela exigência de direito. A lei e a norma regram prescritivamente relações que não mais se reconhecem como comunitárias, oriundas de um dever para com o outro (múnus), senão que se pensam imunitárias: defendem-se do outro, ou o instrumentalizam, procurando o interesse próprio sempre que possível.


Palavras-chave


Biopolítica; Imunização; Communitas; Direitos humanos.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/revistapistispraxis.06.003.ds09

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