Cristianismo, sociedade brasileira e violência doméstica: faces desfiguradas e gritos de socorro na atualidade

Donizete José Xavier, Claudio Antônio Delfino, Jerusa Lisboa Pacheco Reis Pacheco Reis

Resumo


É notório em nossos dias o sofrimento do povo brasileiro, juntamente de toda a humanidade. Neste momento da história, todos são assolados com os dramas da Pandemia do novo Coronavírus. O silêncio angustiante e vazio rompido pelo choro e pelas lágrimas de poucos familiares sepultando seus mortos, milhares de famílias enlutadas pela morte de seus entes queridos, o sistema de saúde que nem sempre consegue atender às necessidades, principalmente as dos mais vulneráveis, a necessidade do isolamento social, e ainda, as consequências destes tempos pandêmicos que vão se aflorando, tais como o desemprego, a fome, a perda da esperança em dias melhores, são algumas marcas do sofrimento de muitos de nossos irmãos Brasil afora. Não bastasse isso, vai crescendo de maneira grave e vertiginosa, em meio a esse triste cenário, a violência doméstica. Tal fenômeno tem desfigurado o rosto de muitas crianças, adolescentes e mulheres, provocando gritos de socorro, provenientes de muitos lares anônimos, gritos que não podem cair no esquecimento nem na indiferença, quer seja do Cristianismo ou de qualquer outra Confissão Religiosa que tenham como pilares o amor a Deus e ao próximo. Toda pessoa de boa vontade da Sociedade Brasileira deve estar atenta aos pedidos de socorro oriundos desses gritos abafados. Diante disso, objetivou-se nesta reflexão verificar quais seriam os desafios atuais, especificamente para o Cristianismo e para a Sociedade Brasileira no combate à violência doméstica e como tornarem-se próximos dos que já são acometidos por tão grandes sofrimentos e tomar atitudes que previnam futuros horrores. Ao menos duas questões preliminares se fizeram necessárias: é legítima a prática de um modelo religioso cristão, tendo Jesus Cristo como fundamento, que se baseie na premissa, segundo a qual, se está bem para mim a situação, não importa como está a do outro? Seria razoável para qualquer pessoa de boa vontade e para uma sociedade inteira negligenciarem-se diante da desfiguração dos rostos e dos gritos de sofrimento de milhares de crianças, adolescentes e mulheres? 


Palavras-chave


Palavras-Chave: Cristianismo, Sociedade Brasileira e Violência Doméstica Atual

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/2175-1838.13.02.DS08

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