Pós-humanismo e o humanum: tensão e caminhos possíveis

Paulo Sérgio Lopes Gonçalves, Newton Aquiles Von Zuben

Resumo


Objetiva-se neste artigo analisar filosoficamente as tensões causadas pelos pós-humanismo, em que se manifesta intensa e densamente a tecnociência como uma antropotécnica para compreender o homem, apontando perspectiva que levam a caminhos distintos para tornar o humanum digno de seu ser em sua cultura, simbologia e linguagem. Justifica-se este objetivo na necessidade apontada pela carta encíclica Evangelium Vitae de se pensar a vida, a partir da tensão entre o pós-humanismo presente na tecnociência e a visão filosófica referente à essência do homem. Para atingir este objetivo, apresentar-se-á a tensão fundamental referente ao homem, causada pela antropotécnica. Em seguida, serão discutidas as características do homem pós-humano ou propriamente a antropotécnica. Por fim, serão apresentadas três perspectivas que apontam o modo de refletir sobre a tecnociência ou o estado do pós-humanismo, a saber: a articulação entre antropologia ontoteológica e antropotécnica, a metafísica do ser e a ontologia hermenêutica. Espera-se que a exposição apresente a possibilidade do pluralismo, a superação de todo tipo de dogmatismo e, principalmente, a necessidade de que toda reflexão sobre este assunto seja meditada esperançosa de que contribui para a emergência do novum do humanum.

Palavras-chave


Antropotécnica; Pós-Humanismo; Ontologia Hermenêutica; Metafísica.

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/revistapistispraxis.07.003.ds06

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