Milhares de comunidades sem eucaristia interpelam o Sínodo da Amazônia

Antônio José de Almeida

Resumo


O texto parte da constatação de que milhares de comunidades católicas na região amazônica só esporadicamente podem participar da celebração da Eucaristia, devido às distâncias e à falta de presbíteros próprios que vivam nas comunidades dispersas pelo imenso território. Reconhece que esta situação é teologicamente anômala, pois a celebração da Eucaristia é essencial para a construção da Igreja como Corpo de Cristo. Sugere que as comunidades católicas formadas pela Palavra de Deus em suas várias modalidades, especialmente a sua Celebração dominical, com uma boa caminhada eclesial, já dotadas de ministérios não-ordenados vários, sejam munidas de presbíteros próprios, que, devidamente ordenados, presidam, com uma equipe ministerial mais ampla, a comunidade e, consequentemente, a Eucaristia comunitária. O Sínodo, no Instrumento Preparatório, mostra-se consciente desta realidade e, no Instrumento de Trabalho, faz duas indicações preciosas: a) “pede-se que, em vez de deixar as comunidades sem a Eucaristia, se alterem os critérios para selecionar e preparar os ministros autorizados para celebrá-la”; b) “pede-se que, para as áreas mais remotas da região, se estude a possibilidade da ordenação sacerdotal de anciãos, de preferência indígenas, respeitados e reconhecidos por suas comunidades, mesmo que tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã” (n. 126 e 129). Explicitar os fundamentos (sobretudo a relação Eucaristia-Igreja e Igreja-Eucaristia) e detalhar propostas nesta direção são os objetivos desta reflexão.


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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/2175-1838.11.003.DS02

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