A ESCOLA NOVA NO PARANÁ: AVANÇOS E CONTRADIÇÕES

Maria Elisabeth Blanck Miguel, Alboni Marisa Dudeque Pianovski Vieira

Resumo


A matéria que motivou este trabalho diz respeito à influência da Pedagogia da Escola Nova na formação dos professores no Paraná e ao resgate de aspectos que foram ignorados ou não suficientemente estudados, mas que poderiam ser importantes para explicar o “entusiasmo pela educação e o otimismo pedagógico” (Nagle, 2001) do período. Os objetivos da pesquisa referiram-se ao estudo da maneira como esta concepção foi praticada nos meios educacionais do Paraná e das ações pedagógicas correspondentes; à identificação da formação de professores sob esta vertente de educação nos vários níveis de desempenho; e à percepção da validade, ainda hoje, de princípios, metodologias, técnicas e formas de promover a relação professoraluno. O apelo a fontes documentais existentes no Arquivo Público do Paraná, na Biblioteca Pública, no Instituto de Educação de Paraná, foram passos iniciais na aproximação do tema. Na segunda fase do trabalho, quando se verificou como os cursos de Pedagogia foram influenciados pelo declínio da Escola Nova, os documentos existentes na Universidade do Paraná e na Faculdade Católica foram investigados. A análise da informação coletada foi baseada em autores como Azevedo (1996), Lourenço Filho (1953), (1963); Pestalozzi (1928), Decroly (1929). A legislação educacional do Brasil e do Paraná também foi evocada. Da análise da fala dos professores entrevistados surgiram categorias que, comparadas a dados obtidos nas fontes documentais, apontaram para resultados que fizeram possível a discussão da concepção de Escola Nova da maneira como se acomodou no Paraná. Porém, a pesquisa em cursos de Pedagogia que deveria, a priori, confirmar as orientações dadas em cursos de formação de professores em nível médio e primário, não confirmou tal hipótese. Em síntese, concluiu-se que a Pedagogia da Escola Nova, no Paraná, sofreu transformações que foram ditadas não só por meio de políticas internacionais e nacionais, mas também pela cultura escolar que a adaptou de acordo com as necessidades do meio; muitas vezes, práticas escolares eram inovadoras, mas aconteceram em uma camada social conservadora que limitou sua plena implantação.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/rde.v5i14.7355

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