Cidade como metáfora de si: representação socioespacial de Cuiabá-MT segundo a criança

Eliza M. P. da Silva, Daniela B. da S. F. Andrade

Resumo


Este artigo propõe uma discussão sobre a relação da criança com a cidade, mediante análise compreensiva do discurso associado ao mapa da cidade construído pela criança participante, com o objetivo de refletir sobre aspectos de sua constituição identitária nessa relação. A análise das significações se orienta pela articulação entre a Teoria Histórico-Cultural (VIGOTSKI, 2009, 2010) e a Teoria das Representações Sociais (MOSCOVICI, 2003), esta última no diálogo com os estudos de Jodelet (1982, 2001). Os estudos de Tuan (1980, 1983) sobre a noção de lugar, topofilia e topofobia também integram o referencial teórico, que, em seu conjunto, possibilita compreender a relação entre criança e cidade como aspecto importante para o desenvolvimento infantil. O procedimento metodológico adotado para a apreensão da representação socioespacial deu-se pelo recolhimento do desenho da cidade, inspirado na proposta dos mapas cognitivos (ALBA, 2011), acompanhado de entrevista semiestruturada com uma criança de uma escola municipal de Educação Básica de Cuiabá, MT. A análise da entrevista e do mapa da cidade orientou-se pela perspectiva compreensiva do discurso e revelou que a representação socioespacial da cidade de Cuiabá é influenciada por valores, vivências e afetos da criança, estando presentes elementos de suas particularidades, mas que também são frutos de relações estabelecidas socialmente. Além disso, nota-se que os lugares do afeto permeiam o processo de formação identitária da criança, aspecto que permite anunciar que, em alguma medida, a cidade é tomada como metáfora de si.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/dialogo.educ.14.043.DS06

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