A criança e o brincar como experiência de cultura

Evelise Maria Labatut Portilho, Carla Cristina Tosatto

Resumo


Este artigo se propõe a dar visibilidade à criança, destacando o brincar como experiência de cultura. A partir de um programa de formação continuada em um Centro de Educação Infantil da Rede Municipal de Curitiba, PR - Brasil, com 32 professoras, diálogos com diferentes autores se fizeram presentes, entre eles: Sarmento (2004, 2005, 2011), Nascimento (2011) e Corsaro (2009). Os instrumentos de pesquisa selecionados foram as entrevistas semiestruturadas e as observações do ambiente educativo. Das unidades de significação construídas para a pesquisa, foi dado destaque à criança como um ser que brinca. É possível inferir que a concepção de que a criança “aprende brincando” está impregnada nos discursos docentes, mas a forma como as professoras concebem a brincadeira ainda está longe da ideia do brincar como uma atividade social e cultural, bem como da imagem da criança produtora de identidade, conhecimento e cultura. Outra ideia revelada é que a brincadeira, para poder se fazer presente na escola, precisa ter sempre uma intenção didática, isto é, o brincar revestido de aula e sem a participação criativa, inventiva e transformadora das crianças. Um brincar que não se abre para a manifestação das culturas da infância. O grande desafio parece ser a transformação dos olhares, tanto das professoras em relação a si mesmas quanto dos olhares delas para as crianças. Para tanto, espaços mútuos de autoria precisam ser promovidos, contribuindo para que novos lugares sejam construídos, tanto para as crianças quanto para as professoras.

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/dialogo.educ.14.043.DS05

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