Análise dos planos diretores de Fortaleza sob o paradigma do planejamento da acessibilidade e mobilidade da Urbe Sustentável

Camila Bandeira Cavalcante, André Soares Lopes, Marcelo Mota Capasso, Carlos Felipe Grangeiro Loureiro, David Sousa Vale

Resumo


Planejar o espaço urbano demanda abordagens integradoras e multidisciplinares, dado seu caráter coletivo e envolvimento de atores com interesses variados. A dificuldade de integração dos esforços de planejamento é questão central a ser enfrentada, seja na adoção de princípios norteadores do processo, na identificação de problemas ou no estabelecimento de objetivos comuns. Na interpretação científica do objeto do planejamento – o espaço urbano –, o plano diretor se impõe como importante instrumento orientador das políticas de desenvolvimento local. Enquanto produto histórico, vinculado aos valores humanos de uma época e lugar, serve como indicador paradigmático do próprio planejamento, revelando a fase evolutiva, ideologicamente delimitada, dessa área do conhecimento. Neste artigo, analisam-se planos diretores selecionados da cidade de Fortaleza, segundo o Paradigma do Planejamento da Acessibilidade e Mobilidade da Urbe Sustentável (PAMUS), que considera central na análise do planejamento três subsistemas urbanos correlacionados: atividades, uso do solo e transportes. Para tanto, trabalhou-se a interpretação qualitativa do conteúdo programático dos planos diretores, segundo o modelo conceitual ALUTI. Constatou-se que os planos evoluíram pouco quanto à integração sistêmica. O papel da acessibilidade e da mobilidade nesses planos é pouco evidente, com reflexos restritos aos transportes, voltando seu foco à oferta de infraestrutura.

Palavras-chave


Planejamento. Acessibilidade. Mobilidade. Sustentabilidade. Plano diretor.

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