Relação entre conforto térmico urbano e Zonas Climáticas Locais

Maria Eugênia Fernandes, Érico Masiero

Resumo


O ambiente urbano pode impactar nas condições de conforto térmico de acordo com a sua configuração, afetando o uso do espaço e a qualidade de vida da população. Assim, é importante conhecer o nível de conforto dos espaços urbanos e as consequências para a população para propor soluções construtivas adequadas. Este artigo objetiva analisar a influência da forma urbana e da cobertura do solo no conforto térmico dos usuários de espaços públicos ao ar livre. Para isso, foram caracterizadas quatro frações da cidade de São Carlos-SP utilizando o sistema de classificação das Zonas Climáticas Locais (ZCL). Foram realizadas coletas de dados microclimáticos e variáveis pessoais em três períodos para calcular o índice PET. Além disso, foram investigadas a percepção e a satisfação térmica dos usuários. Os resultados mostraram que o índice PET variou de 25ºC a 48ºC, representando desconforto por calor em todos os pontos, também reforçado pelo registro da percepção dos usuários. No entanto, estes mostraram satisfação nos espaços de lazer, especialmente nos arborizados, mesmo em condições de elevado índice PET, o que indicaria desconforto por calor. As ZCL compactas e com grande percentual de impermeabilidade apresentaram as piores condições, registrando insatisfação dos usuários em todos os períodos.


Palavras-chave


Conforto térmico. Geometria urbana. Índice PET. Zonas Climáticas Locais

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