O território como tecnologia de mediação urbana: a customização territorial dos aplicativos móveis

Ana Lúcia Abrão Latrônico, Mattedi Marcos, Maiko Rafael Spiess, Clóvis Reis

Resumo


As tecnologias de informação e comunicação vêm alterando o contexto em que vivemos nas mais variadas escalas. Por isso, se tornaram também uma importante ferramenta de gestão dos problemas das cidades contemporâneas. O presente artigo tem como objetivo investigar as relações entre território e tecnologia, observando que a tecnologia é produtora de territórios, mas nem todo território produz a mesma tecnologia. Esta relação será explicada por meio da análise da customização territorial dos aplicativos móveis AlertaBlu (Blumenau/SC) e Onde Tem Tiroteio (Rio de Janeiro/RJ). A metodologia utilizada consiste em revisão bibliográfica e análise comparativa. Os resultados mostram que estes aplicativos são criadores de territórios, uma vez que demarcam os locais seguros e inseguros das cidades onde atuam. Conclui-se que estes territórios funcionam como uma ferramenta de mediação urbana.


Palavras-chave


Território; tecnologia; cidades inteligentes

Texto completo:

PDF

Referências


AlertaBlu - Prefeitura de Blumenau. (2018). Recuperado em 02 de novembro de 2018, de https://www.blumenau.sc.gov.br/governo/secretaria-de-defesa-do-cidadao/pagina/alertablu-sedeci

Barry, A. (2001). Political Machines: Governing a Technological Society. Londres: Athlone.

Bouskela, M., Casseb, M., Bassi, S., De Luca, C., Facchina, M. (2016). Caminho para as smart cities: da gestão tradicional para a cidade inteligente. São Paulo: Banco Internacional de Desenvolvimento - BID.

Bugs, G. & Bortolli, F. (2018). Participação ativista-colaborativa utilizando cartografias digitais. V!RUS, (17).

Callon, M., Cohendet, P., Curien, N., Dalle, J., Eymard-Duvernay, F., Foray, D., & Schenk, E. (1999). Réseau et coordination. Paris: Ed. Economica.

Castells, M. (2017). A Sociedade em Rede (18a ed., Vol. 1). São Paulo: Paz e terra.

Cresswell, J. W. (2010). Projeto de Pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 3. ed. Porto Alegre: Artmed.

Cunha, M. A., Przeybilovicz, E., Macaya, J. F. M., Burgos, F. (2016). Smart Cities: Transformação digital de cidades. São Paulo: Programa Gestão Pública e Cidadania – PGPC.

Dallabona-Fariniuk, T. Firmino, R. (2018). Smartphones, smart spaces? O uso de mídias locativas no espaço urbano em Curitiba, Brasil. Eure, 44(133), 255-275.

Delaney, D. (2005). Territory: a short introduction. Malden: Blackwell Publishing.

Ertiö, T. (2015). Participatory Apps for Urban Planning—Space for Improvement. Planning Practice & Research, 30(3), 303-321.

Estadão. (2017). Rio ganha aplicativo para alertar sobre onde há tiroteios e crimes. Recuperado em 23 de setembro de 2018 de https://brasil.estadao.com.br/noticias/rio-de-janeiro,rio-ganha-aplicativo-para-alertar-onde-ha-tiroteios-e-crimes,70001870833.

Firmino, R. & Duarte, F. (2012). Do espaço ampliado ao mundo codificado. In P. A. Rheingantz & R. Pedro (orgs.), Qualidade do lugar e cultura contemporânea: controvérsias e ressonâncias em ambientes urbanos (pp. 69-80). Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)/Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (fau)/ Programa de Pós Graduação em Arquitetura (proarq).

Giaretta, J. B. & Giulio, G. M. (2017). O papel das tecnologias de comunicação e informação (TIC) no urbano do século XXI e na emergência dos novos movimentos sociais. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, 20(1), 161-179.

Gray, D. E. (2012). Pesquisa no mundo real. 2. ed. Porto Alegre: Penso.

Haesbaert, R. (2007). Concepções de território para entender a desterritorialização. In: M. Santos & B. Becker, (orgs.). Território, territórios: Ensaios sobre o ordenamento territorial. (3a. ed., p. 43-70). Rio de Janeiro: Lamparina.

Haesbaert, R. (2004). Dos múltiplos territórios à multiterritorialidade. Porto Alegre. Recuperado em 28 de setembro de 2018, de www.ufrgs.br.

Halicioglu, F. Andrés, A. R. & Yamamura, E. (2012). Modeling crime in Japan. Economic Modelling, 29(5), 1640-1645.

Höffken, S. & Streich, B. (2013). Mobile participation: Citizen engagement in Urban planning via smartphones. 199-225.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. (2010). Censo Demográfico - 2010. Recuperado em 1 de novembro de 2018 de: www.ibge.gov.br.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. (2018). Cidades. Recuperado em 1 de novembro de 2018 de: www.cidades.ibge.gov.br

Kadercan, B. (2015). Triangulating territory: a case for pragmatic interaction between political science, political geography, and critical IR. International Theory, 7(1), 125-161.

Karvonen, A. Cugurullo, F. & Caprotti, F. (2019). Situating smart cities. In: A. Karvonen, Andrew. F. Cugurullo. & F. Caprotti (Eds.). Inside Smart Cities: Place, politics and urban innovation (1a ed, p. 1-12). New York: Routledge.

Kleinhans, R. Van Ham, M. & Evans-Cowley, J. (2015). Using Social Media and Mobile Technologies to Foster Engagement and Self-Organization in Participatory Urban Planning and Neighbourhood Governance. Planning Practice & Research, 30(3), 237-247.

Latham, A. & Mccormack D. P. (2010) Globalizations big and small: Notes an urban studies, Actor-Network Theory, and geographical scale. In I. Farias & T. Bender (Orgs.). Urban Assemblages: How Actor-Network Theory Changes Urban Studies. (p. 53-72). New York: Routledge.

Latour, B. (2006). Changer de scoiété, refaire de la sociologie. Paris: Éditions La Découverte.

Lemos, A. (2013). A comunicação das coisas: Teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume.

Lemos, A. & Araujo, N. V. (2018). Cidadão Sensor e Cidade Inteligente: Análise dos Aplicativos Móveis da Bahia. Revista Famecos, 25(3), 1-19.

Lévy, P (1999). Cibercultura. São Paulo: Editora 34.

Ludwig, L. (2017). As tecnologias da informação e comunicação (TICS) na gestão dos riscos de desastres: o caso do AlertaBLU em Blumenau/SC. (Dissertação de Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, Universidade Regional de Blumenau, Blumenau.

Maeng, M. & Budic, Z. N. (2010). Relationship between ICT and urban form in knowledge-based development: empirical analysis of Washington, DC metro region. International Journal Of Knowledge-based Development, 1(1/2), 97-117.

Maricato, E. (2003). Conhecer para resolver a cidade ilegal. In L. B. Castriota (org.) Urbanização Brasileira: Redescobertas (p. 78-96). Belo Horizonte: editora Arte.

Marsal-Llacuna, M. Colomer-Llinàs, & J. Meléndez-Frigola, J. (2015). Lessons in urban monitoring taken from sustainable and livable cities to better address the Smart Cities initiative. Technological Forecasting And Social Change, 90, 611-622.

Mattedi, M. (2017). Dilemas e perspectivas da abordagem sociológica dos desastres naturais. Tempo Social, 29(3), 261-285.

Mattedi, M., Spiess, M., Ribeiro, E., Avila, M., Ludwig, L., Thomas, A., Garbari, A., Siefert, F., August, N., Latrônico, A., Lopes, G., Mees, R., Joner, K. (2018) A economia política da gestão dos desastres em Blumenau. In: M. Mattedi, L. Ludwig, & M. R. R. Avila (Orgs.). Desastre de 2008 +10 no vale do Itajaí. Água, gente e política: Aprendizados (217-234). Blumenau: Edifurb.

Meirelles, R. & Athayde, C. (2014). Um país chamado favela. São Paulo: Editora Gente.

Meyer, R. M. P. (2000). Atributos da metrópole moderna. São Paulo em Perspectiva, 14(4), 3-9.

Moulin, C. & Tabak, J. (2014). Humanitarismo e a Favela Global: Violência Urbana e Ação Humanitária no Rio de Janeiro. Contexto Internacional, 36(1), 43-74.

Müller, P. A. (2015). Desenvolvimento Regional: Na perspectiva da cidade inteligente. Revista Ciência e Conhecimento, 9(2).

Munarolo, T. A., Figueiredo, F., Madoreira, L. R. V., Villas, L. (2018). Safe Routes Suggestion App. Campinas: Universidade Estadual de Campinas.

OTT-Brasil. (2018). Recuperado em 23 de setembro de 2018 de https://www.ondetemtiroteio.com.br.

Painter, J. (2006) 'Territory-network.', Association of American Geographers Annual Meeting. Chicago, USA, 7-11 March 2006.

Painter, J. (2010) Rethinking Territory. Antipode, 42(5), 1090-1118.

Penrose, J. (2002). Nations, states and homelands: territory and territoriality in nationalist thought. Nations And Nationalism, 8(3), 277-297.

Remaud, O., Schaub, J. & Thireau, I. (2012). Faire de sciences sociales: Comparer. Paris: Ed. de l'Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales.

Siebert, C. (2001). A evolução urbana de Blumenau: o (des)controle urbanístico e a exclusão sócio-espacial. In IX Encontro Nacional da ANPUR - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional. Rio de Janeiro.

Silva, R. J. & Urssi, N. J. (2015). UrbX: como os aplicativos móveis potencializam a vida urbana. Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística, 5(1), 1-14.

Storper, M. (1994). Territorialização numa economia global: Possibilidades de desenvolvimento tecnológico, comercial e regional em economias subdesenvolvidas. In: L. Lavinas, L. M. F. Caleial & M. R. Nabuco (Orgs.). Integração, região e regionalismo (p. 13-26). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

United Nations. (2018). World Population Prospects - Population Division. Recuperado em 02 de outubro de 2018 de https://population.un.org/wpp/DataQuery/

Verbeek, P. (2011). Moralizing technology: understanding and designing the morality of things. Chicago: The University of Chicago Press.

We Are Social. (2019). Digital 2019: Global Internet Use Accelerates. Recuperado em 02 de julho de 2019 de https://wearesocial.com/blog/2019/01/digital-2019-global-internet-use-accelerates

Worldometers. (2018). Real time world statistics. Recuperado em 02 de outubro de 2018 de https://www.worldometers.info/

Yin, C., Xiong, Z., Chen, H., Wang, J., Cooper, D., David, B. (2015). A literature survey on smart cities. Science China Information Sciences, 58(10), 1-18.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.