Análise quantitativa e qualitativa dos resíduos de construção e demolição gerados em Belo Horizonte/MG

Sofia Araújo Lima Bessa, Tiago Augusto Gonçalves Mello, Karen Katleen Lourenço

Resumo


A construção civil é um dos setores econômicos que mais impactam o meio ambiente. O volume de resíduos de construção e demolição (RCD) gerados nas cidades e a sua disposição inadequada são fatores que potencializam a degradação ambiental. O objetivo do presente trabalho foi realizar uma análise quantitativa e qualitativa da produção dos RCD em Belo Horizonte, MG. Como parte da análise qualitativa, realizou-se um levantamento do atual estado da gestão e do gerenciamento dos RCD gerados na cidade com vistas a entender a viabilidade do uso dos RCD reciclados como insumo na construção civil da região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Após essa etapa, foi realizada coleta e caracterização dos RCD na estação de reciclagem de entulho (ERE/ SLU), situada na BR040. Utilizou-se o método de amostragem de acordo com a norma pertinente. Por meio da análise gravimétrica, observou-se que 95,5% do total de RCD produzidos é do tipo A, o que indica um grande potencial técnico e econômico de reaproveitamento diretamente na construção civil. Os resultados apontam, portanto, a necessidade de diretrizes para a aplicação destes resíduos de volta na construção civil e para a criação de políticas de educação ambiental.


Palavras-chave


resíduos de construção e demolição; gestão de resíduos; reaproveitamento; construção civil.

Texto completo:

PDF

Referências


Agência Nacional de Mineração – ANM. (2010). Anuário Mineral Brasileiro 2010. Recuperado em 22 de dezembro de 2018, de http://www.anm.gov.br/dnpm/publicacoes/serie-estatisticas-e-economia-mineral/anuario-mineral/anuario-mineral-brasileiro/anuario-mineral-brasileiro-2010

Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE. (2017). Panorama dos resíduos sólidos no Brasil - 2017. São Paulo: ABRELPE. Recuperado em 21 de dezembro de 2018, de http://abrelpe.org.br/download-panorama-2017/

Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. (2003). NBR NM 52: Agregado miúdo - determinação da massa específica e massa específica aparente. Rio de Janeiro: ABNT.

Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. (2004a). NBR 10007: Amostragem de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: ABNT.

Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. (2004b). NBR 15115: Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - Execução de camadas de pavimentação - Procedimentos. Rio de Janeiro: ABNT.

Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. (2004c). NBR 15116: Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - Utilização em pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural - Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT.

Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. (2004d). NBR 10004: Resíduos sólidos - Classificação. Rio de Janeiro: ABNT.

Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. (2006). NBR NM 45: Agregados - determinação de massa unitária e volume de vazios. Rio de Janeiro: ABNT.

Baptista, J. V., Jr., & Romanel, C. (2013). Sustentabilidade na indústria da construção: uma logística para reciclagem dos resíduos de pequenas obras. Urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana, 5(2), 27-37. http://dx.doi.org/10.7213/urbe.05.002.SE02.

Belo Horizonte. Prefeitura Municipal. (2012). Lei Nº 10.522, de 24 de agosto de 2012. Belo Horizonte: Diário Oficial do Município – DOM. Recuperado em 13 de janeiro de 2018, de http://portal6.pbh.gov.br/dom/iniciaEdicao.do?method=DetalheArtigo&pk=1086436

Belo Horizonte. Prefeitura Municipal. (2015). Coleta, destinação e tratamento de resíduos sólidos. Belo Horizonte: Prefeitura Municipal. Recuperado em 15 de setembro de 2017, de https://bhmetaseresultados.pbh.gov.br/content/coleta-destina%C3%A7%C3% A3o-e-tratamento-de-res%C3%ADduos-s%C3%B3lidos

Belo Horizonte. Prefeitura Municipal. Superintendência de Limpeza Urbana – SLU. (2016a). Relatório anual de atividades da limpeza urbana 2006-2016 [Documento cedido]. Belo Horizonte: Prefeitura Municipal.

Belo Horizonte. Prefeitura Municipal. (2016b). Decreto nº 16.217, de 26 de janeiro de 2016. Belo Horizonte: Diário Oficial do Município – DOM. Recuperado em 26 de dezembro de 2018, de http://portal6.pbh.gov.br/dom/iniciaEdicao.do?method=DetalheArtigo&pk= 1157142

Belo Horizonte. Prefeitura Municipal. (2018a). Plano Municipal de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Prefeitura Municipal. Recuperado em 12 de maio de 2018, de https://prefeitura.pbh.gov.br /sites/default/files/estrutura-de-governo/slu/2018/documentos/versao_final_pmgirs-h_mma.pdf

Belo Horizonte. Prefeitura Municipal. Superintendência de Limpeza Urbana – SLU. (2018b). Estatísticas. Recuperado em 10 de março de 2018, de https://prefeitura.pbh.gov.br/ slu/informacoes/estatisticas

Bernardes, A., Thomé, A., Prietto, P. D. M., & Abreu, A. G. (2008). Quantificação e classificação dos resíduos da construção e demolição coletados no município de Passo Fundo, RS. Ambiente Construído, 8(3), 65-76.

Brasil. Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. (2002, 17 de julho). Resolução n° 307, de 5 de julho de 2002. Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Brasília: Diário Oficial da União. Recuperado em 24 de setembro de 2017, de http://www.mma.gov.br/estruturas/a3p/_arquivos/36_09102008030504.pdf

Brasil. Ministério do Meio Ambiente – MMA. (2006). Agenda 21 brasileira. Brasília: MMA. Recuperado em 22 de novembro de 2017, de http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-brasileira

Brasil. (2010). Lei n° 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Brasília: Diário Oficial da União. Recuperado em 24 de setembro de 2017, de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm

Brasil. Ministério do Meio Ambiente – MMA. (2011, 25 de maio). Resolução no 431, de 24 de maio de 2011. Altera o art. 3o da Resolução no 307, de 5 de julho de 2002, do Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA, estabelecendo nova classificação para o gesso. Brasília: Diário Oficial da União. Recuperado em 17 de setembro de 2017, de http://www.mma.gov.br /port/conama/legiabre.cfm?codlegi=649

Brasileiro, L. L., & Matos, J. M. E. (2015). Revisão bibliográfica: reutilização de resíduos da construção e demolição na indústria da construção civil. Cerâmica, 61(358), 178-189. http://dx.doi.org/10.1590/0366-69132015613581860.

Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC. (2016). Pesquisa mensal de emprego - IBGE. Recuperado em 24 de setembro de 2017, de http://www.cbicdados.com.br/media/anexos/tabela_03.C.04_13.xlsx

Cooper, D. R., & Schindler, P. S. (2011). Métodos de pesquisa em administração (10. ed.). Porto Alegre: Bookman.

Duran, X., Lenihan, H., & O’Regan, B. (2006). A model for assessing the economic viability of construction and demolition waste recycling - the case of Ireland. Resources, Conservation and Recycling, 46(3), 302-320. http://dx.doi.org/10.1016/j.resconrec.2005.08.003.

Godoy, A. (1995). Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista de Administração de Empresas., 35(2), 57-63. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-75901995000200008.

Instituto Brasileiro De Administração Municipal – IBAM. (2001). Gestão integrada de resíduos sólidos: manual gerenciamento integrado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: IBAM. Coordenação técnica: Victor Zular Zveibil.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (2017). Estimativas de população. Rio de Janeiro: IBGE. Recuperado em 24 de setembro de 2017, de http://www.ibge.gov.br/ home/estatistica/populacao/estimativa2015/default.shtm

Monteiro, C., Karpinski, J. A., Kuhl, M. R., & Morozini, J. F.. (2017). A gestão municipal de resíduos sólidos e as ações de sustentabilidade: um estudo realizado em um município do centro oeste do Paraná. Urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana, 9(1), 139-154. http://dx.doi.org/10.1590/2175-3369.009.001.ao010.

Oliveira, M. E. D., Sales, R. J. M., Oliveira, L. A. S., & Cabral, A. E. B. (2011). Diagnóstico da geração e da composição dos RCD de Fortaleza/CE. Revista de Engenharia Sanitária e Ambiental, 16(3), 219-224. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-41522011000300003.

Resende, L. H. S. (2016). Análise da gestão de resíduos sólidos de construção civil de Belo Horizonte (MG) a partir da percepção dos atores envolvidos [Dissertação de mestrado] Belo Horizonte: Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Universidade Federal de Minas Gerais.

Rodríguez, G., Medina, C., Alegre, F. J., Asensio, E., & Sánchez de Rojas, M. I. (2015). Assessment of construction and demolition waste plant management in Spain: in pursuit of sustainability and eco-efficiency. Journal of Cleaner Production, 90, 16-24. http://dx.doi.org/10.1016/j.jclepro.2014.11.067.

Scremin, L. B., Castilhos, A. B., Jr., & Rocha, J. C. (2014). Sistema de apoio ao gerenciamento de resíduos de construção e demolição para municípios de pequeno porte. Revista de Engenharia Sanitária e Ambiental, 19(2), 203-206. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-41522014000200011.

Tam, V. W. Y., Soomro, M., & Evangelista, A. J. (2018). A review of recycled aggregate in concrete applications (2000–2017). Construction & Building Materials, 172, 272-292. http://dx.doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2018.03.240.

Tessaro, A. B., Sá, J. S., & Scremin, L. B. (2012). Quantificação e classificação dos resíduos procedentes da construção civil e demolição no município de Pelotas, RS. Ambiente Construído, 12(2), 121-130. http://dx.doi.org/10.1590/S1678-86212012000200008.

Wu, Z., Yu, A. T. W., Shen, L., & Liu, G. (2014). Quantifying construction and demolition waste: an analytical review. Waste Management (New York, N.Y.), 34(9), 1683-1692. http://dx.doi.org/10.1016/j.wasman.2014.05.010. PMid:24970618.

Yeheyis, M., Hewage, K., Alam, M. S., Eskicioglu, C., & Sadiq, R. (2013). An overview of construction and demolition waste management in Canada: a lifecycle analysis approach to sustainability. Clean Technologies and Environmental Policy, 15(1), 81-91. http://dx.doi.org/10.1007/s10098-012-0481-6.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.