Reestruturação estratégica e gentrificação em Belo Horizonte: novo cenário, velhas medidas

Luciano dos Santos Diniz, Cibelle Paula Batista da Silva

Resumo


As políticas urbanas implementadas pelo poder público, em articulação com o capital privado, a fim de consolidar o papel das cidades no cenário de competição interurbana, nem sempre ampliam o acesso dos cidadãos às funções sociais da cidade. As práticas do urbanismo neoliberal acarretam, por vezes, a intensificação da desigualdade e da segregação socioespacial. O artigo busca avaliar o processo de reestruturação econômico-espacial de Belo Horizonte. As intervenções incluem obras públicas de infraestrutura e de serviços, influindo na valorização fundiária, na apropriação do espaço pelo capital e na expulsão da população vulnerável. O objetivo da pesquisa é identificar se as intervenções realizadas pelo poder público deram início à gentrificação da região de Venda Nova, em Belo Horizonte. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório, utilizando pesquisa bibliográfica, documental e de levantamento para evidenciar a dinâmica da elitização do espaço. Os resultados, em diferentes aspectos de análise, demonstram significativas alterações na estrutura socioeconômica e no ambiente construído da região, caracterizadoras da gentrificação. A pesquisa, ao fazer uma análise da gentrificação, a partir da base de dados cadastrais imobiliários do município, pretende trazer uma contribuição importante para os estudos empíricos sobre como o fenômeno se aplica à realidade urbana brasileira.

Palavras-chave


Empresariamento urbano, Reestruturação estratégica, Gentrificação.

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