A proto-habitação social na cidade de Lisboa: uma leitura integrada da vila operária no contexto urbano atual

Sónia Ildefonso, Rita Machete, Ana Paula Falcão, Teresa Heitor

Resumo


A importância do alojamento operário na transição do século XIX para o século XX, nomeadamente da Vila Operária – estilo que proliferou e assumiu alguma diversidade tipo-morfológica na cidade de Lisboa – prende-se com o testemunho histórico, político e urbanístico que este representa no processo evolutivo da cidade. Essa tipologia, frequentemente considerada como um exemplo de proto-habitação social, que viu reconhecido o interesse patrimonial, em 1990, pelo Grupo de Trabalho e Estudo dos Pátios e Vilas da Cidade de Lisboa e, em 1993, pelo Plano de Pormenor de Salvaguarda dos Pátios e Vilas, tem sido sujeita a medidas de proteção isoladas ou fragmentadas que não têm permitido a efetiva salvaguarda dos imóveis. O presente trabalho contextualiza o início da habitação operária na cidade de Lisboa nos âmbitos social, econômico e político, realça a sua importância na evolução do modo de habitar a cidade e identifica e cruza as diversas medidas legais de proteção a que essa tipologia de patrimônio cultural tem sido sujeita. De um conjunto inicial de 340 habitações com características de habitação operária, foram analisadas 26 Vilas Operárias, recorrendo a representações digitais tridimensionais e a ferramentas de análise espacial em ambiente de Sistemas de Informação Geográfica 3D (SIG3D).


Palavras-chave


Habitação operária; Proto habitação social; Vila Operária; SIG; Lisboa.

Texto completo:

PDF

Referências


Antunes, F. A. G. S. O. (2002). Habitação operária - Pátios e Vilas de Lisboa. A experiência da cidade operária industrial (Mestrado). Faculdade de Arquitectura, Universidade de Lisboa, Lisboa.

Antunes, G.; Lúcio, J.; Soares, N. P. & Julião, R. P. (2014). Conjuntos de habitação popular na cidade de Lisboa - espacialização e morfologia dos pátios e vilas operárias. Atas do XIV Colóquio Ibérico de Geografia, 11-14 de novembro de 2014, Universidade do Minho.

Câmara Municipal de Lisboa (1988). Estudo dos Pátios e Vilas da Cidade de Lisboa – Proposta. Lisboa: Direção dos Serviços de Habitação e Gabinete de Estudos Olissiponenses.

Câmara Municipal de Lisboa (1993). Plano de Pormenor dos Pátios e Vilas considerados património a preservar e reabilitar. Lisboa: Direção Municipal de Reabilitação Urbana / Departamento de Reabilitação Urbana da Colina do Castelo / Divisão de Reabilitação Urbana Pátios e Vilas

Câmara Municipal de Lisboa: Planta da cidade de Lisboa de Frederico Ressano Garcia Lamas (1874-1911). Consultado em 27 de Fevereiro de 2017 em http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/

Fernandes, C. A. M. F. (2013). O Pátio enquanto Centro Mediador. Intervenção no Bairro do Barruncho (Mestrado). Faculdade de Arquitectura, Universidade de Lisboa, Lisboa.

Fontainhas, S. T. (2015). Lugares com Identidade e Memória: Os Pátios e Vilas Operárias de Lisboa como Fundamento de um Projeto (Mestrado). Faculdade de Arquitectura, Universidade de Lisboa, Lisboa.

França, J. A. (2005). Lisboa: Urbanismo e Arquitectura. Coleção Cidade de Lisboa, nº 29, 5ªedição. Lisboa: Livros Horizonte.

Grupo de Trabalho e Estudo dos Pátios e Vilas da Cidade de Lisboa (1990). Conjuntos Urbanos Antigos - Pátios e vilas - considerados patrimónios com interesse. Lisboa: CML / DMRU.

Ildefonso, S. (2008). Vilas Operárias em Lisboa. Emergência de Novos Modos de Habitar. O Caso da Vila Berta (Mestrado). Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa.

Pereira, N. T. (2017). Evolução das Formas de Habitação Plurifamiliar na Cidade de Lisboa (1a edi.). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Pereira, N. T. (1994). Pátios e Vilas de Lisboa, 1870-1930: a promoção privada do alojamento operário, 1870/1930. Análise Social, vol. XXIX (127), pp. 509-524.

Pereira, N. T. & Buarque, I. (1995). Habitação Operária (1a edi.). Lisboa: Horizonte.

Portugal (1901, 24 de Novembro). Decreto-Lei de 24 de Dezembro de 1901. Aprova o Regulamento Geral dos Serviços de Saúde e Beneficência Pública . Lisboa: Diário do Governo.

Portugal (1903, 14 de Fevereiro). Decreto-Lei de 14 de Fevereiro de 1903. Aprova o Regulamento de Salubridade das Edificações Urbanas. Lisboa: Diário do Governo.

Portugal (1918, 25 de Abril). Lei n. 4137, de 25 de Abril de 1918. Estabelece várias providências atinentes a promover a construção de casas económicas. Lisboa: Diário da República, 87/4137, I Série.

Portugal (1933, 23 de Novembro). Lei n. 23052, de 23 de Novembro de 1933. Autoriza o Governo a promover a construção de casas económicas, em colaboração com as câmaras municipais, corporações administrativas e organismos do estado. Lisboa: Diário da República, 217/1933, I Série.

Portugal (2001, 8 de Setembro). Lei n.107/2001, de 8 de Setembro de 2001. Estabelece a Lei de Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Lisboa: Diário da República., I Série.

Portugal (2012, 30 de Agosto). Lei n. 168/2012, de 30 de Agosto de 2012. Aprova o Plano Diretor Municipal de Lisboa. Lisboa: Diário da República, II Série.

Rodrigues, M. J. M. (1979). Tradição, Transição e Mudança – A produção do espaço urbano na Lisboa oitocentista. Lisboa: Assembleia Distrital de Lisboa.

Salgueiro, T. B. (1981). Habitação Operária em Lisboa. Revista Arquitectura, 143 (4ª série, Setembro), pp. 74-77.

Silva, M. M. A. R. (2013). Pátios e Vilas da Zona Ribeirinha Oriental: Materialidade, memória e recuperação urbana (Mestrado). ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, Lisboa.

Silva, R. H. (1986). As Avenidas Novas de Lisboa, 1900-1930 (Mestrado). Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa

Teixeira, M. A. C. (1992). As estratégias de habitação em Portugal, 1880-1940. Análise Social, vol. XXVII (115), pp. 65-89.

Teixeira, M. A. C. (1994). A habitação popular no século XIX - características morfológicas, a transmissão de modelos: as ilhas do Porto e os cortiços do Rio de Janeiro. Análise Social, vol. XXIX (127), 555-579.

Teixeira, P. A. & Matos, R. M. (1995). Teorias e Modelos de Habitação Operária. O Caso de Lisboa (1880-1920). Atas das sessões [do] I Colóquio Temático O Município de Lisboa e a Dinâmica Urbana: séculos XVI-XX. Lisboa: Câmara Municipal / Pelouro da Cultura, 1997, pp. 179-202.

Teixeira Bastos, F. (1898). Habitações Operárias. Consultado em 10 de Março de 2017 em https://www.gutenberg.org/

Teixeira, P. A. & Matos, R. M. (1997). Teorias e modelos de habitação operária : o caso de Lisboa, 1880-1920. Do Colóquio temático O município de Lisboa e a dinâmica urbana, séculos XVI-XIX. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1997, pp. 179-210.

Tomás, A. L. (2012). Cidade Oculta – a Vila Operária. Atas da 1ª Conferência Filantropia e Arquitetura, CITAD – Universidade Lusíada de Lisboa.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.