A praça: intervenções contemporâneas em espaços de património

Flavio Barbini

Resumo


Na cidade portuguesa contemporânea, a praça constitui uma herança urbanística de matriz europeia cujo valor patrimonial é fundamental como parte da história urbana, mas também de sua vivência e memória. Essa matriz foi, posteriormente, exportada para países não europeus, tornando-se indispensável na cidade colonial. Nos últimos 20 anos, as políticas urbanas de salvaguarda e conservação dos centros históricos deram origem a três tipos de ações de remodelação de praças: intervenções da responsabilidade dos serviços técnicos das câmaras municipais; intervenções resultantes de concursos públicos, lideradas por arquitetos; intervenções sob encomenda direta, geralmente coordenadas por arquitetos de reconhecido mérito nacional e internacional. Nesse contexto, existem duas metodologias de projeto fundamentais: de cariz estritamente conservacionista ou mais abertas a uma reinterpretação contemporânea de modelos, desenhos e sistemas construtivos resultantes da cultura urbana local. A opção por uma dessas abordagens é, frequentemente, marcada pela época em que é realizada e está fortemente relacionada com a produção teórica e as cartas e recomendações de organismos internacionais existentes e também com uma prática associada a uma disciplina de intervenção em arquitetura, regida por influências globalizantes. Neste artigo, propõe-se a análise do contexto português, tendo como ponto de chegada um duplo objetivo: fornecer uma análise urbana da intervenção na cidade consolidada, identificando as inflexões fundamentais que lhe deram origem; e estabelecer as bases para um projeto de investigação congénere no espaço da lusofonia, que identifique eventuais semelhanças e dissemelhanças, conducentes ao estudo de uma hipótese de existência de lusofilias urbanas contemporâneas dentro dessa temática.

Palavras-chave


Praça. Arquitetura contemporânea. Património. Espaço público.

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