Nietzsche e Burckhardt: Estado, crueldade da natureza e da cultura

Adriana Delbó

Resumo


As distâncias comumente conferidas entre cultura e barbárie, homem e animal, não contribuem para a interpretação da cultura nos escritos de F. Nietzsche, para quem as mobilizações criativas, oriundas do próprio extravasamento de forças destrutivas, cuidam das condições de criação cultural. Não há um movimento inaugural, nem de progresso da cultura em relação à natureza. Nem sequer domínio de uma em detrimento da outra. Existência e destruição, formação e despedaçamento, dor e alegria, vida e morte, embora passíveis de distinções, são momentos inseparáveis de um mesmo processo. Analogias como essas, comuns também na história da cultura de J. Burckhardt, desenham percursos indispensáveis para as interpretações do pensamento de Nietzsche a respeito da política. A garantia e a regulação de lugares ao domínio e à violência é o que faz desta instituição o instrumento da cultura e para a cultura. Em vista disso, neste trabalho pretende-se tratar das preocupações nietzschianas com a cultura à luz das contraposições entre Estado grego antigo e Estado democrático moderno, feitas de modo tão próximo por ele e por J. Burckhardt. Distanciar-se do risco de enxergar nestas contraposições – bem como em outras considerações – recomendações ou extirpações de modelos de governo requer compreender os critérios de Nietzsche para análise da política.

Palavras-chave


Estado; Natureza; Cultura; Burckhardt

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DOI: https://doi.org/10.7213/ren.v1i2.22575

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