Socialização docente e implicações nas práticas avaliativas de Ciências e Biologia
DOI:
https://doi.org/10.7213/1981-416X.26.089.DS10Palavras-chave:
Disposições, Docência, Habitus profissional, Trajetórias educacionais, Violência simbólicaResumo
Este estudo analisa, sob uma perspectiva sociológica, como o habitus profissional e as disposições, constituídos em processos de socialização escolar, acadêmica e profissional, orientam as práticas avaliativas docentes e produzem participação ou exclusão. Fundamentado na teoria da ação de Bourdieu (2007; 2011) e na sociologia disposicionalista de Lahire (2004), o estudo examina relatos de sete professores de Ciências e Biologia, egressos de um curso de Licenciatura em Ciências Biológicas de uma universidade pública do sul do Brasil. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em entrevistas compreensivas (Bourdieu, 2008). Os resultados indicam a predominância, no habitus profissional, de uma disposição ascética articulada à lógica meritocrática, materializada em práticas avaliativas centradas em provas e notas, frequentemente acionadas como mecanismos de controle e disciplina, configurando formas de violência simbólica. Paralelamente, emergem disposições críticas e competências associadas às práticas científicas, que possibilitam tensionar essa lógica por meio de estratégias participativas e de avaliação formativa. Essas disposições atuam sob fortes condicionantes institucionais, evidenciando que a transformação das práticas avaliativas está diretamente vinculada a mudanças estruturais nos contextos escolares e nos processos de formação docente.
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