Alunos ciganos e sua relação com a escola
perspectivas de uma comunidade educativa
DOI:
https://doi.org/10.7213/1981-416X.26.090.AO08Resumo
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa cujo objetivo foi compreender como os atores de uma comunidade educativa percebem os alunos ciganos e sua relação com a escola. Trata-se de uma pesquisa qualitativa realizada em uma escola pública de Guapó (GO), por meio de entrevistas semiestruturadas com seis professores, dois coordenadores pedagógicos e três mães ciganas. A análise de conteúdo revelou múltiplos desafios à inclusão escolar, como o desconhecimento da cultura cigana por parte dos profissionais da educação, a invisibilidade dos alunos, a infrequência escolar, a reprodução de estereótipos e práticas discriminatórias, além da fragilidade no vínculo entre escola e família. Conclui-se que a efetivação do direito à educação para alunos ciganos requer formação intercultural dos profissionais que atuam na escola, a implementação de políticas públicas específicas e o desenvolvimento de práticas pedagógicas que valorizem a diversidade cultural. Somente por meio de uma abordagem que reconheça as identidades do povo cigano, o enfrentamento das práticas discriminatórias e a construção de um ambiente escolar que promova o pertencimento, a escuta e o respeito mútuo será possível garantir que a escola cumpra seu papel como espaço de aprendizagem e justiça social para crianças ciganas, historicamente invisibilizadas no cenário educacional brasileiro.
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