Toxicidade hepatorrenal da administração concomitante de metronidazol e azitromicina em camundongos: evidências bioquímicas, de estresse oxidativo e histopatológicas
DOI:
https://doi.org/10.7213/acad.2026.24013Resumo
Profissionais de saúde, tanto na medicina humana quanto na veterinária, frequentemente utilizam antibioticoterapia combinada; no entanto, os potenciais efeitos adversos dessa prática ainda não foram totalmente estudados. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar os efeitos da administração repetida de metronidazol e azitromicina sobre a função hepática e renal em camundongos, utilizando avaliações bioquímicas e histopatológicas integradas. Quarenta camundongos machos adultos (cepa Swiss Albino) foram distribuídos aleatoriamente em quatro grupos (10 animais cada): um grupo controle e três grupos de tratamento que receberam metronidazol (125 mg/kg/dia) e azitromicina (30 mg/kg/dia), isoladamente ou em combinação. Os fármacos foram administrados por via oral durante 14 dias consecutivos. Análises laboratoriais incluíram a dosagem sérica de alanina aminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST), bem como os níveis de nitrogênio ureico sanguíneo e creatinina. Foram realizados testes de peroxidação lipídica (MDA) e glutationa (GSH) em amostras de tecido hepático e renal, juntamente a avaliações histopatológicas utilizando métodos de pontuação semiquantitativa. Os dois grupos submetidos à monoterapia apresentaram aumentos médios nos biomarcadores hepáticos e renais superiores aos observados no grupo controle. O grupo submetido à terapia combinada apresentou os maiores aumentos nos níveis de ALT, AST, ureia e creatinina. O perfil oxidativo demonstrou elevação dos níveis de MDA e redução dos níveis de GSH em todos os grupos, sendo que o grupo exposto à combinação apresentou as alterações mais acentuadas. A análise histopatológica revelou diferentes graus de lesão no fígado e nos rins, sendo estas mais pronunciadas no grupo tratado com a combinação de fármacos. A exposição combinada a metronidazol e azitromicina em condições subagudas resulta em aumento da toxicidade hepatorrenal, decorrente do estresse oxidativo e de danos estruturais aos tecidos. Portanto, recomenda-se cautela na coadministração desses fármacos e realização de estudos adicionais para elucidar os mecanismos envolvidos.
Palavras-chave: Metronidazol. Azitromicina. Estresse oxidativo. Toxicidade hepática. Toxicidade renal.