Heterotopias do presente
ficção, desvio e deriva em Michel Foucault
DOI:
https://doi.org/10.1590/2965-1557.038.e202634053Palavras-chave:
Heterotopia, Presente, Ficção, Michel Foucault, TemporalidadeResumo
Este artigo propõe uma releitura do conceito foucaultiano de heterotopia a partir de sua dimensão temporal e ficcional, deslocando-o de uma compreensão estritamente espacial. Argumenta-se que a heterotopia não designa lugares irreais ou exteriores à ordem, mas dispositivos imanentes ao presente que desestabilizam suas coordenadas de inteligibilidade, expondo a coexistência de tempos, espaços e modos de existência heterogêneos. A partir da oposição entre utopia e heterotopia, da metáfora da deriva naval e do exame do dilema temporal do presente, o texto sustenta que as heterotopias operam como ficções do presente, capazes de reinscrever o real sem negá-lo. Em diálogo com autores como Didi-Huberman, Preciado e Rosset, defende-se que a heterotopia pode ser compreendida como um princípio ontológico-ficcional, isto é, como uma prática de estranhamento que torna visíveis as potencialidades não realizadas do presente e reconfigura os limites do pensável e do possível.
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