Heterotopias do presente

ficção, desvio e deriva em Michel Foucault

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/2965-1557.038.e202634053

Palavras-chave:

Heterotopia, Presente, Ficção, Michel Foucault, Temporalidade

Resumo

Este artigo propõe uma releitura do conceito foucaultiano de heterotopia a partir de sua dimensão temporal e ficcional, deslocando-o de uma compreensão estritamente espacial. Argumenta-se que a heterotopia não designa lugares irreais ou exteriores à ordem, mas dispositivos imanentes ao presente que desestabilizam suas coordenadas de inteligibilidade, expondo a coexistência de tempos, espaços e modos de existência heterogêneos. A partir da oposição entre utopia e heterotopia, da metáfora da deriva naval e do exame do dilema temporal do presente, o texto sustenta que as heterotopias operam como ficções do presente, capazes de reinscrever o real sem negá-lo. Em diálogo com autores como Didi-Huberman, Preciado e Rosset, defende-se que a heterotopia pode ser compreendida como um princípio ontológico-ficcional, isto é, como uma prática de estranhamento que torna visíveis as potencialidades não realizadas do presente e reconfigura os limites do pensável e do possível.

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Biografia do Autor

Marcos N. Beccari, Universidade Federal do Paraná

Doutor em Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Professor Adjunto do Departamento de Design da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Educação da USP. Pesquisador do Demo: laboratório de design-ficção da ESDI-UERJ e do Lab_Arte: laboratório experimental de arte-educação e cultura da FE-USP.

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Publicado

2026-08-03

Como Citar

Beccari, M. (2026). Heterotopias do presente: ficção, desvio e deriva em Michel Foucault. Revista De Filosofia Aurora, 38. https://doi.org/10.1590/2965-1557.038.e202634053

Edição

Seção

Michel Foucault: 100 anos de seu Nascimento