A educação das emoções em Nietzsche
DOI:
https://doi.org/10.1590/2965-1557.036.e202633851Palavras-chave:
Nietzsche, Educação, Emoções, Afetividade, EnativismoResumo
Este artigo desenvolve a hipótese de que Aurora, especialmente o aforismo 103 do Livro II, contém uma concepção robusta de educação das emoções no interior da filosofia de Nietzsche. A partir da articulação entre práxis genealógica e autogenealógica, bem como uma concepção do que caracterizo como afetividade primária, argumento que Nietzsche compreende o pensar e o sentir como processos recursivos, corporificados e situados, cuja modulação depende de acoplamentos dinâmicos entre organismo e ambiente. A análise da estrutura formal e semântica do aforismo 103 revela que a formulação teórica da última frase – “Temos de reaprender a pensar […] e talvez mais tarde reaprender a sentir” – expressa uma possibilidade de reorientação e transformação das nossas experiências emocionais. O artigo estrutura parte da argumentação por meio do registro enativista de afetividade, reconstruindo a noção de afetividade primária em estreita sintonia com a abordagem enativista das emoções. Por fim, defende-se que a educação das emoções, em Nietzsche, implica uma reorganização dinâmica e reflexiva das formas de avaliar e sentir, em constante interação com o ambiente e com os outros.
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